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[01/06/2009] - Greenpeace: governo é sócio de desmatadores
[01/06/2009] - RESENHA ON-LINE Manchetes dos principais jornais Resenha Sab / Dom Complemento da Resenha O Exército na TV Exército Brasileiro Resenha Word Complemento Word Pensamento O Estado SP: Exército simula em SP situações de distúrbio. O Globo: 'País, que não se pensava dividido, está sendo dividido'. Jornal do Brasil: EUA podem reforçar ‘guarda-chuva nuclear’ sobre Seul. Folha SP: Brasil já investiu R$ 577 mi em cinco anos de missão no Haiti. Correio Braziliense: Cuba aceita dialogar com EUA. Zero Hora: CPI da Petrobras nasce amanhã. A Resenha Diária é elaborada pelo Centro de Comunicação Social do Exército, contendo as principais notícias de interesse para o Exército, veiculadas pela mídia. Está disponível, na Internet, em sua versão “on-line”, a partir das 09:00 horas, na página oficial do Exército Brasileiro. A Resenha Diária é complementada, nos dias úteis, com as matérias que não tenham sido incluídas na edição inicial. Elaborado pelo Centro de Comunicação Social do Exército Exército simula em SP situações de distúrbio Damaris Giuliana Começa hoje o Exercício Anhanguera - Operação Massaguaçu. Durante dez dias, 2.500 homens do Exército se espalharão por 11 cidades do Estado de São Paulo para o treinamento de garantia da lei e da ordem (GLO). Eles participarão de 600 simulações, com 300 figurantes militares, prevendo situações de distúrbio. Viaturas, helicópteros e soldados com fuzis simularão patrulhamento ostensivo, escolta, reintegração de posse, busca e apreensão, blitze e outras atividades. O cenário pode parecer hostil aos moradores de Bertioga, Caraguatatuba, Jambeiro, Natividade da Serra, Paraibuna, Redenção da Serra, Salesópolis, Santa Branca, São Luiz do Paraitinga, São Sebastião e Ubatuba, mas a ideia "não é causar distúrbio na vida da população", afirma o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da 2ª Divisão de Exército. O objetivo é preparar os militares para que tenham condições de "restabelecer a normalidade". O emprego das Forças Armadas na GLO depende de ordem do presidente da República, sob a condição de o governador do Estado dizer que seus meios são "indisponíveis, inexistentes ou insuficientes". Para o cientista político Flávio Rocha Oliveira, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, é difícil que os militares sejam empregados dessa forma, pois o custo político é elevado e a polícia passaria a responder ao Exército. "Ele (governador) está dizendo que perdeu o controle sobre a própria força repressiva." A regulamentação do uso das Forças Armadas nesse tipo de situação está prevista na Estratégia Nacional de Defesa, mas ainda não há um projeto de lei. "A principal preocupação é deixar claras as exigências legais para o emprego de tropas nessas circunstâncias e dar garantias legais aos militares envolvidos", diz o assessor de comunicação do Ministério da Defesa, José Ramos Filho. De acordo com o professor Oliveira, uma das possibilidades debatidas seria o Exército dar apenas apoio logístico à Polícia Civil, evitando o desgaste. Para conquistar a opinião pública, durante o treinamento o Exército realiza operações na área social e sanitária, tais como triagem médica e odontológica e trabalho preventivo contra dengue e gripe suína. Os custos do treinamento não foram revelados. O Exército relata dificuldade em calculá-los porque muitos dos gastos independem da operação. Entretanto, a instituição confirmou o aluguel de celulares e o consumo de 90 mil litros de combustível, sem specificar valores nem fornecer detalhes sobre contratos. ARTIGO Hipocrisia estimula proliferação Seumas Milne* THE GUARDIAN A reação das potências ao teste nuclear realizado pela Coreia do Norte não poderia ser mais drástico. Barack Obama qualificou a explosão subterrânea como "flagrante violação da lei internacional", enquanto que o Japão qualificou o ato como um "crime manifesto". A Coreia do Sul aderiu à Iniciativa de Segurança contra a Proliferação (PSI), programa para interceptação de navios suspeitos de transportar armas de destruição em massa. Pyongyang já disse que encara a decisão sul-coreana como declaração de guerra,advertindo que qualquer tentativa de apreensão dos seus navios será revidada. A esperança é de que essas frases de efeito não passem de bravata. Mas a ideia de que são irracionais os esforços da Coreia do Norte para se dotar de armas nucleares é claramente absurda. Afinal, trata-se de um Estado que está na mira dos EUA, no sentido de uma mudança de regime, desde o fim da Guerra Fria, e cujas garantias de "nenhum propósito hostil" dadas pelo governo Clinton foram retiradas por seu sucessor. Em abril de 2003, a Coreia do Norte chegou a uma conclusão óbvia da invasão americana ao Iraque: a de que pretender um desarmamento por meio de inspeções não ajuda a evitar uma guerra, e sim a provocá-la. Dos Estados do "eixo do mal" de George W. Bush, o Iraque, que não possuía armas de destruição em massa, foi invaddo; a Coreia do Norte, que já era dotada de capacidade militar, ficou intocada; enquanto que o Irã, que procura desenvolver um programa nuclear, ainda é ameaçado. O entusiasmo demonstrado pelos EUA desde os anos 90 para invadir outros países incentivou os Estados na sua linha de fogo a adquirirem armas nucleares, para sua própria segurança. E os Estados nuclearizados, diante do seu fracasso em chegar a um acordo para um desarmamento sério, acabaram se tornando os grandes condutores da proliferação nuclear. Não é apenas a hipocrisia que está na base de todos os pronunciamentos ocidentais sobre a "ameaça para a paz mundial" representada pelas "armas ilegais"dos recém-chegados ao clube nuclear. Nem o critério do duplo que corrobora a indulgência nuclear com relação a Israel, Índia e Paquistão, enquanto que Irã e Coreia do Norte sofrem embargos. O fato é que existe obrigação dos Estados armados nuclearmente, que aderiram ao tratado de não-proliferação nuclear, de negociar um "desarmamento completo". Assim, é um mistério saber por que a Coreia do Norte, que não está vinculada a um tratado, portanto não está obrigada a respeitar suas regras, deve aceitá-las e se desarmar. Em maio, Mohammed ElBaradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que, sem um desarmamento das grandes potências, o número de Estados armados nuclearmente vai dobrar em poucos anos, à medida que "Estados virtualmente armados" adquirem essa capacidade , mas suspendem a montagem de uma bomba para "comprar um seguro contra ataques". É isso que se supõe que o Irã esteja fazendo. E há evidências de que o governo dos EUA está disposto a aplicar sanções mais severas contra Teerã. Se, em vez de lançar mais sanções contra Pyongyang, os EUA insistirem em negociações bem mais amplas, com vistas à tão retardada reunificação da Coreia, sua desnuclearização e a retirada de todas as tropas estrangeiras, seria uma contribuição histórica para a paz. *Seumas Milne é colunista e escritor OPINIÃO Autópsia de outro fracasso Marcelo de Paiva Abreu * A ação diplomática do Brasil nos últimos tempos pode ser criticada com base em diversos critérios: excessiva complacência com vizinhos atados a populismos variados, que vão do "bolivarianismo" ao neoperonismo; ênfase desmedida em protagonismo, às expensas de substância, na seleção de parceiros "estratégicos"; avaliações descoladas da realidade sobre as possibilidades da política externa. Tais críticas são feitas tendo como pano de fundo o consenso de que o serviço exterior do Brasil é competente e tem tido sucesso em fazer ouvir a voz do País. Acontecimentos recentes sugerem que tais premissas podem estar comprometidas. Os últimos meses foram marcados por controvérsias sobre postulações internacionais envolvendo interesses brasileiros. Em jogo estavam as escolhas do diretor-geral da UNESCO, da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 - o Rio de Janeiro compete com Chicago, Madri e Tóquio - e, surpreendentemente, de integrantes do Órgão Permanente de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC). O destaque, neste último caso, decorreu de o nome indicado ser o de Ellen Gracie, ministra e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O cargo em si, embora disputado entre especialistas, é de dedicação parcial (até 100 dias por ano) e não tem o mesmo prestígio da direção de organismos multilaterais. A estratégia do Itamaraty ficou exposta, porque o ministro das Relações Exteriores deixou claro que não haveria apoio oficial à candidatura de brasileiros à direção da UNESCO, inclusive de funcionário do órgão com chances efetivas de ser escolhido. O Brasil, em nome da aproximação política aos países árabes, estava comprometido com a candidatura egípcia e concentraria esforços na defesa de outras candidaturas brasileiras: a da cidade do Rio e a de Ellen Gracie. Esse apoio foi mantido mesmo após ter sido constatado que o candidato egípcio, apoiado pelo Brasil, notabilizou-se por comentários antissemitas. O fracasso em relação à candidatura da ministra Gracie ao Órgão Permanente de Apelação da OMC deixa ainda mais exposta tal estratégia. E, no entanto, as dificuldades quanto à candidatura eram óbvias. Foram minimizadas pelo governo, que, movido por interesses relacionados à política interna, estimulou a avaliação de que o cargo na OMC era mais importante do que de fato é. Diversos fatores indicavam ser improvável a escolha da ministra. Luiz Olavo Baptista foi um dos sete membros do Órgão de Apelação durante quase oito anos e a OMC tem 153 membros. Em qualquer cenário haveria dificuldade em fazer prosperar a candidatura brasileira, em face de pressões por rotatividade na representação dos membros. A ministra Gracie tem currículo distinto, postura de grande dignidade e desfruta de prestígio como a primeira mulher a presidir o STF. Mas a sua candidatura não atende aos requisitos do artigo 17.3 do Entendimento relativo às normas e procedimentos sobre solução de controvérsias na OMC: "O Órgão de Apelação será composto de pessoas de reconhecida competência, com experiência comprovada em Direito, comércio internacional e nos assuntos tratados pelos acordos abrangidos em geral." Ventilou-se que o ministro Celso Amorim protestou em conversa "dura" com Pascal Lamy, diretor da OMC. Melhor justificativa teria tido Lamy para ter conversa de tal teor, pois o Brasil levou à OMC uma candidatura para resolver assunto de política interna. O ministro deveria reservar seus momentos de dureza para conter incontinências de vizinhos como Lugo ou Chávez. O Brasil, desde a criação do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Gatt, na sigla em inglês), sempre teve prestígio na instituição, além do que poderia ser explicado por sua participação no comércio mundial. O embaixador Álvares Maciel teve atuação destacada na Rodada Tóquio e Paulo Nogueira Batista foi influente na Rodada Uruguai. Embaixadores no Gatt e na OMC - Ricupero, Lafer, Lampreia, Amorim - foram depois ministros de Estado. No sistema de solução de controvérsias, o Brasil tem tido relevância em "panels" decisivos. O Brasil, no âmbito da OMC, tem participado de reuniões em formatos G-4 e G-7 com os protagonistas desenvolvidos. É uma lástima que tal reputação de competência e operosidade seja comprometida por avaliações incorretas sobre as reais chances do País na indicação de brasileiros para ocupar posições de destaque na organização. O episódio Ellen Gracie é o último de uma longa lista de tropeços. Nos últimos anos o Brasil vem acumulando espetacular sequência de insucessos em postulações para ocupar posições em organismos multilaterais, muitas delas com engajamento do Itamaraty. Candidatos brasileiros foram derrotados na escolha de dirigentes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Organização Mundial do Comércio, da União Internacional de Telecomunicações (UIT), da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Wipo, na sigla em inglês). Esses processos quase sempre explicitaram posições divergentes do Brasil com seus vizinhos latino-americanos e até mesmo do Mercosul. O que explicaria esse retrospecto de time de várzea? A hipótese caridosa é que a deterioração na capacidade analítica da diplomacia brasileira se deva à postura politizada assumida pelo Itamaraty desde 2003. De qualquer forma, é triste ver o País passar vergonha por conta desses erros de avaliação. Esperemos que lições relevantes sejam tiradas. Podem ser úteis na postulação do Brasil no quadro da reforma da ONU. Senão, a vergonha poderá ser ainda maior. *Marcelo de Paiva Abreu, Ph.D. em Economia pela Universidade de Cambridge, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio 31 Maio 09 'País, que não se pensava dividido, está sendo dividido' Antropóloga elogia decisão do TJ do Rio, critica cotas raciais e defende investimentos na educação básica Fervorosa ativista contra o sistema de cotas raciais para o ingresso nas universidades, a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, comemorou a recente suspensão, pelo Tribunal de Justiça, da lei estadual que estipulava a reserva de vagas em universidades estaduais, como um primeiro passo para a revogação de leis raciais. A seu ver, elas servem apenas para dividir os brasileiros que, no geral, diz, rejeitam o racismo. Segundo ela, o sistema de cotas é fruto de pressão internacional alimentada por milhões de dólares da Fundação Ford: - Essa pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro americano nessa história. José Meirelles Passos O sistema de cotas é apresentado como forma de criar oportunidades iguais para todos. A senhora discorda. Por quê? YVONNE MAGGIE: Porque ele faz parte de leis raciais que querem implantar no Brasil. E elas são inconstitucionais. A Constituição Federal proíbe criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. A do Estado do Rio também. Estou defendendo o estatuto jurídico da nação brasileira, com base no fato de que raça não pode ser critério de distribuição de justiça. Raça é uma invenção dos racistas para dominar mais e melhor. Que critério usaram para criar tal sistema? YVONNE: Surgiu no governo de Fernando Henrique Cardoso, propondo cotas para negros ou pardos, hoje chamados de afrodescendentes, sob o critério estatístico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas isso não significa que as pessoas se identifiquem com aquilo. Nós, brasileiros, construímos uma cultura que se envergonha do racismo. Mas existe racismo no Brasil, não? YVONNE: Eu nunca disse que não há racismo aqui. Mas não somos uma sociedade racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério racial. É interessante ver que o Brasil descrito nas estatísticas foi tomado como verdade absoluta. Há uma espécie de alucinação coletiva. Uma coisa é dizer que o Brasil é um país desigual, com uma distância muito grande entre ricos e pobres. Outra coisa é atribuir isso à raça. Quais os motivos para a criação de leis raciais no país? YVONNE: Outra alucinação: a de que a forma de combater a desigualdade no Brasil deve ser via leis raciais. Elas propõem dividir o povo brasileiro em brancos e negros. Há quem diga que o povo já está dividido assim. Digo que não. Afinal, 35% dos muito pobres no Brasil se definem como brancos. Qual é o melhor critério? YVONNE: Em vez de lutar contra o racismo com ações afirmativas, colocando mais dinheiro nas periferias, o governo optou pelas cotas raciais reservando certo número de vagas na escola e, com o estatuto racial, no mercado de trabalho. Então, o país que não se pensava dividido está sendo dividido. Seja como for, a ideia das cotas está ganhando adeptos. YVONNE: Nem tanto. Pesquisa recente feita no Rio pelo Cidan (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro), mostrou que 63% das pessoas são contra as cotas raciais. A maioria do povo brasileiro acha que todos somos iguais. Aprendemos isso na escola. O objetivo era beneficiar negros e pardos. Agora no Rio já existem cotas para portadores de deficiência, para filhos de policiais, de bombeiros. A tendência é esse leque aumentar? YVONNE: A lógica étnica ou racial não tem fim. Tudo surgiu porque houve pressão internacional com o sentido de combater o racismo. Mas quem domina os organismos internacionais são os países imperialistas, sobretudo Inglaterra e Estados Unidos, que têm uma visão imperialista de mundo dividido. Os EUA são um país dividido. Não pensam como nós. Lá a questão racial é a primeira identidade. Você pergunta "quem é você?", e dizem: "sou afroamericano", etc. Como não vivemos ódio racial no Brasil não sabemos o que é isso. O problema é que ao dividir e criar uma identidade racial, fica impossível voltar atrás. O Brasil sucumbiu à pressão internacional? YVONNE: A pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro americano nessa história. A Fundação Ford investiu milhões de dólares no Brasil, formando advogados, financiando debates, criando organizações não governamentais (ONGs). Não temos mais movimentos sociais. Quem luta em favor das cotas se transformou em ONG que recebe dinheiro do governo e da Fundação Ford. Juntou-se a fome com a vontade de comer. O governo inventa as ONGs, financia, e depois diz que as cotas são uma demanda do povo. Como combater a desigualdade no acesso à universidade? YVONNE: O Brasil tem que enfrentar a questão da educação básica de forma madura e consciente, investindo. Precisamos de recursos financeiros e humanos. Melhorar o salário dos professores e sua formação. E mudar a concepção de educação. Sem investimento não construiremos uma sociedade mais igual. Estamos criando uma sociedade mais desigual, escolhendo um punhadinho entre os pobres. Na verdade, a competição pelos recursos não é entre o filho da elite e o filho do pobre: ocorre entre os pobres. Como a senhora vê a educação no Brasil? YVONNE: A formação de professores e a concepção de educação são precárias. Não se obriga as escolas a ensinar. Obama acaba de fazer uma grande melhoria nos EUA: premia os bons professores. São os que ensinam melhor. E pune os maus. Quem não consegue fazer com que o seu aluno tire nota boa nas provas de avaliação externas, sai ou é reciclado. Há luz no fim do túnel? YVONNE: Sou otimista. Acho que as leis raciais não vingarão no Brasil. Creio que os congressistas têm mais juízo. E que em vez de lutar pelas cotas, o ministro da Educação deve fazer com que prefeitos e governadores cumpram as metas. Elas são excelentes. A ideia dele é fazer com que os municípios mais pobres recebam mais dinheiro. A opção é investir nas escolas e nos bairros mais pobres. É possível conter o lobby das ONGs favoráveis às cotas? YVONNE: É muito difícil ir contra grupos que se apresentam como o povo organizado. Temos que lutar pelo povo desorganizado, o povo que anda pela rua, que casa entre si, que joga futebol junto, que bebe cerveja, e não está o tempo todo pensando de que cor você é, de que cor eu sou. Povo é o que nos ensina que é melhor dar a mão do que negar um abraço. O Tudistão é aqui Repórter encara curso do Exército que prepara jornalistas para atuar em áreas de conflito e conta como é viver cinco dias 'fugindo' de tiroteios Sob ordens de um militar, o repórter rasteja: treinamento inclui acompanhar patrulhas e socorrer feridos Os 19 jornalistas estavam há mais de dez horas na sala quando o Capitão Nery avisou: - O Tudistão é aqui. É o pior país que podem imaginar. Com seus 53.719km² e três milhões de habitantes, o castigado Tudistão, uma ex-república soviética, vive uma rotina de instabilidade política e violência desde que o ditador Leonid Tuchek morreu, deixando no poder seu filho, o inepto Stanislaw, em 1991. - Desde então, o país conviveu com embargos internacionais, crise econômica sistêmica, profundas tensões étnicas e religiosas até a desintegração do estado, em 1995 - advertiu o capitão, um dos 1.050 militares que integram a força de paz da ONU naquele país. Sai o capitão e entra o sub-tenente Castro, que explicou, com gestos caricatos semelhantes aos do Capitão Nascimento de "Tropa de elite", noções básicas de segurança. Castro mal acabou de falar pela vigésima vez que aquelas instruções eram muito importantes para quem pretendesse sair dali vivo, quando as bombas começaram a explodir. A energia foi cortada. Fumaça e escuridão tomaram conta do local. Era um ataque à base do Exército. Agachados em fila juntos à parede, os jornalistas aguardavam o retorno de Castro, que os levaria por uma rota segura até um bunker. Alguns vestiram os capacetes azuis da ONU e os coletes à prova de bala do lado contrário, provocando gargalhadas dos militares. As explosões terminaram e os repórteres, já recompostos, puderam ver com seus próprios olhos as equipes de resgate retirando corpos de vítimas e um carro da missão brasileira em chamas. Dois mortos e três feridos graves, segundo o balanço oficial. Até que o pancadão do funk vindo de um carro fez os jornalistas voltarem à realidade. Ali não era o Tudistão, era o Centro de Instrução de Operações de Paz, na Avenida Duque de Caxias, Vila Militar, Rio de Janeiro. O Tudistão não existe, é um país imaginário criado pelo Exército para espalhar os conhecimentos adquiridos no Haiti, a principal missão militar brasileira desde a FEB, na Segunda Guerra Mundial. O sangue era cenográfico e o ataque não passou de uma simulação, parte do curso de preparação para jornalistas em áreas de conflito. Passava das 23h quando acabaram as instruções do dia, iniciadas às 8h. Durante cinco dias, os repórteres aprenderiam as diferenças entre uma coberta e um abrigo e rastejariam sob telas de arame fugindo dos tiros inimigos. Saberiam que um atirador demora entre quatro e seis segundos para preparar, mirar e executar um disparo certeiro, e que este é o tempo disponível para fazer o lanço, ou seja, o deslocamento entre um ponto seguro e outro. Equipados com sensores que apitavam quando atingidos pelos disparos a laser dos "inimigos", os jornalistas acompanharam patrulhas, negociaram acesso a territórios proibidos, socorreram feridos, fugiram de tiroteios. Instruções úteis para o trabalho não só em guerras convencionais como na rotina cada vez mais violenta das grandes cidades. 1º junho 09 COLUNA Ancelmo Gois Popó no Haití Quem está no Haiti é o lutador de boxe Acelino Freitas. A convite do Viva Rio, que faz um trabalho social por lá, Popó vai abrir uma academia de boxe. Greenpeace: governo é sócio de desmatadores BNDES financia pecuaristas responsáveis por 80% da devastação da Amazônia, e planeja duplicar a produção José Meirelles Passos Além de não conseguir evitar o desmatamento da Amazônia, o governo brasileiro contribui ativamente com ele, pois se tornou sócio de quem produz a destruição. Nos últimos dois anos, bilhões de dólares do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram concedidos a empresas pecuaristas responsáveis por 80% da devastação da floresta. A cada 18 segundos, um hectare da Mata Amazônica vira pasto. Só o setor pecuário na Amazônia brasileira responde por 14% do desmatamento global anual. As três cifras foram retiradas de dados registrados pelo próprio governo e agora estão reunidas num informe de 140 páginas que o grupo ambiental Greenpeace divulgará hoje, sob o título "Abatendo a Amazônia". "Através do BNDES, o governo tem formado alianças estratégicas com as cinco maiores empresas da indústria pecuária. Entre 2007 e 2009, essas empresas, responsáveis por mais de 50% das exportações brasileiras de carne, receberam US$2,65 bilhões do BNDES, em troca de ações do governo brasileiro", diz o documento. O Plano Agrícola e Pecuário 2008/09 liberou US$41 bilhões em linhas de crédito para aumentar a produção do setor agropecuário, 85% delas para agricultura industrial. Fazendas em terra indígena e uso de mão de obra escrava A entidade constatou que áreas protegidas foram invadidas pelos pecuaristas, localizando uma fazenda de gado instalada ilegalmente em terra indígena. O Greenpeace descobriu que fazendas brasileiras que fornecem gado para o mercado mundial utilizam trabalho escravo. "O maior incentivo econômico para a expansão do setor pecuário na Amazônia é a falta de governança. Fatores contribuintes incluem a corrupção, a desorganização, a capacidade limitada e a falta de coordenação entre diferentes setores do governo" - diz o documento. O Greenpeace alerta que, ao financiar os desmatadores com dinheiro do BNDES, em troca de ações das empresas responsáveis pela destruição, o governo não só se torna parceiro na devastação como alimenta uma cadeia de outras indústrias, que "impulsionam involuntariamente" o desmatamento, através do que o grupo define como o "consumo cego" de matéria-prima resultante da devastação. "A indústria pecuária na Amazônia brasileira é o maior vetor de desmatamento do mundo, responsável por um em cada oito hectares destruídos globalmente. Esforços para reduzir as emissões globais devem incluir mudanças no modo de produção do setor", diz o informe. O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, sendo o maior exportador mundial de carne. Em 2008, de cada três toneladas comercializada internacionalmente, uma tinha o Brasil como origem. A preocupação do Greenpeace é com a disposição do governo em duplicar a participação brasileira no comércio global de carne, até 2018, sem tomar medidas para evitar que isso signifique a ampliação da derrubada da floresta. O plano do governo é que nesse período o Brasil forneça duas de cada três toneladas de carne comercializadas no mundo. Para o coordenador do estudo, André Muggiati, a pesquisa revela como a destruição da Amazônia está conectada ao mercado mundial: - A situação é gravíssima. O governo brasileiro tem papel fundamental, porque investe em indústrias localizadas na Amazônia que, ao se expandirem, estimulam o desmatamento. Para Muggiati, o governo precisa redirecionar investimentos para iniciativas sustentáveis: - Há necessidade de limpar a cadeia do desmatamento. Se as indústrias da pecuária assumirem compromisso de não comprar animais criados em áreas desmatadas, ganharão competitividade no mercado e vão agregar valor ambiental a seus produtos. COLABOROU Cássio Bruno Critérios para investimento vão mudar, diz Minc BRASÍLIA. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse considerar o levantamento do Greenpeace "da maior relevância" e reconheceu que o setor pecuário é o que mais contribui hoje para o desmatamento. Minc afirmou que já estão sendo tomadas providências, junto com o BNDES, para reverter a situação. Explicou que os frigoríficos que pedirem empréstimo ao banco, a partir de agora, serão objeto de investigação por instituições como o IBAMA: - O BNDES não pode financiar atividades que estejam desmatando a Amazônia. Um frigorífico que tenha entre fornecedores pessoas que agem dessa forma é corresponsável pelos crimes ambientais. - No relatório do Greenpeace, havendo novas evidências de desmatamento, não hesitaremos. Vou mandar fiscais do IBAMA inspecionarem os locais apontados - assegurou. Minc disse que o governo tem fechado acordos com diversos setores para reduzir o desmatamento. Citou como exemplos soja, madeira e minérios. O BNDES informou que desconhece o estudo e que tem preocupação com a questão ambiental quando financia empresas pecuaristas. O órgão lembrou que segue a legislação e, antes de repassar recursos a essas empresas, exige licenças ambientais para a realização dos projetos. O Ministério da Agricultura só se pronunciará após receber o relatório. Cuba dá sinal positivo a Obama Governo cubano aceita retomar diálogo sobre imigração e sugere inclusão de novos temas Mary Beth Sheridan Cuba aceitou reabrir as negociações com os Estados Unidos em assuntos que vão da imigração à cooperação no combate ao tráfico de drogas, informou um funcionário do Departamento de Estado americano, num sinal de que o país comunista acolheu a proposta do presidente Barack Obama por um novo relacionamento após décadas de tensão. O anúncio acontece após o início de uma viagem da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pela América Latina, e às vésperas da reunião de cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA), na qual a situação do país deve dominar os debates. Segundo a fonte americana, o chefe da seção de interesses cubanos em Washington, Jorge Bolaños, aceitou formalmente a oferta feita pelos EUA, mês passado, de reabrir o canal de diálogo sobre imigração que o governo George W. Bush suspendera em 2003. As conversas, na ocasião, envolviam autoridades de alto escalão de ambos os lados. Contraterrorismo entra na pauta Bolaños demonstrou ainda interesse em retomar a discussão sobre o correio entre os dois países. Há anos, essa correspondência é transmitida por terceiros países. Além disso, os cubanos indicaram que poderão explorar as possibilidades de cooperação no combate ao tráfico de drogas, contraterrorismo e resposta a desastres naturais. A fonte acrescentou que os dois países ainda precisam decidir o local e as datas adequadas para a retomada das negociações. A questão migratória é decisiva num momento no qual milhares de cubanos optam a cada ano pelo caminho do êxodo para os Estados Unidos, mesmo com todos os riscos que a viagem clandestina representa. Desde que chegou à Casa Branca, o presidente Barack Obama ordenou a suspensão das restrições a viagens e transferências de dinheiro dos cubano-americanos a Cuba, mas disse que não suspenderia o embargo. Na ocasião, o presidente cubano, Raúl Castro, afirmou também estar disposto a negociar com o novo governante americano, desde que ele não apresentasse pré-condições. O fim do embargo econômico, no entanto, não parece próximo. Barack Obama condicionou a suspensão do embargo a reformas democráticas e avanços na área de direitos humanos no governo de Raúl Castro. Havana no centro de reunião da OEA Este sinal de aproximação acontece às vésperas da reunião dos 35 países da OEA, que começa amanhã, em Honduras. Para analistas, a reunião deve ser dominada pela questão do retorno de Cuba à organização. Esta é a primeira vez em décadas que a OEA estudará seriamente o tema, apesar das divergências surgidas durante reuniões preliminares. A medida encontra forte resistência entre os grupos de cubanos residentes nos EUA e também por alguns senadores americanos. Um deles, o democrata Robert Menendez, chegou a ameaçar cortar a contribuição dos EUA para a OEA, que representa 60% do seu orçamento. A maioria dos países da América Latina deseja a revogação imediata e sem condições da resolução de 1962 que excluiu Cuba da organização, mas Washington rejeita o retorno da ilha sem sinais de abertura democrática e de respeito às liberdades. O governo de Cuba afirmou, semana passada, que nunca aceitaria voltar a integrar a OEA, chamando a organização de "cadáver político", e defendeu a criação de um novo órgão sem a presença dos Estados Unidos. Apesar da rejeição, analistas americanos acreditam que alguns países da OEA querem utilizar a questão para obter o fim do embargo a Cuba. - Isto será um desafio complexo para a secretária Hillary Clinton - afirma Michael Shifter, do centro Diálogo Interamericano. - Sinto que a equipe de Obama está um pouco nervosa. Todos estão conscientes de que Cuba é um campo minado. Com agências internacionais oglobo.com.br/mundo Piauí apresenta fatura dos prejuízos
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